O que são planetas? Definição, tipos e quantos existem no sistema solar

O que são planetas, quantos existem no sistema solar, como são classificados e o que os distingue das estrelas e planetas anões.

OBJETOS CELESTES

Atacama Stargazing

5/1/20262 min ler

a painting of a painting of planets and planets
a painting of a painting of planets and planets

O Que São os Planetas? Da Definição da IAU ao Sistema Solar e Além

Antes de 2006, a resposta parecia óbvia: planetas eram os nove corpos que orbitavam o Sol — Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão. Então a União Astronômica Internacional (IAU) reuniu-se em Praga e, em uma votação histórica, formalizou pela primeira vez a definição científica precisa de "planeta" — e Plutão foi reclassificado como planeta anão. A decisão não foi apenas burocrática: ela revelou algo profundo sobre como a ciência categoriza o cosmos à medida que o conhecimento cresce.

A Definição Oficial da IAU (2006)

Segundo a Resolução B5 da IAU, um planeta do Sistema Solar deve satisfazer três critérios simultaneamente:

  • Orbita o Sol: o corpo deve orbitar diretamente nossa estrela, não outro planeta (caso contrário seria uma lua).
  • Tem massa suficiente para equilíbrio hidrostático: deve ser suficientemente massivo para que sua própria gravidade domine sobre as forças rígidas e adquira forma aproximadamente esférica. Isso ocorre geralmente em objetos com diâmetro superior a ~800–1000 km e suficiente densidade.
  • Limpou a vizinhança de sua órbita: ao longo do tempo, um planeta deve ter dominado gravitacionalmente sua faixa orbital, acumulando ou expulsando outros corpos menores. É exatamente aqui que Plutão falha — ele compartilha o Cinturão de Kuiper com milhares de objetos similares e não domina sua órbita.

Um objeto que satisfaz os dois primeiros critérios mas não o terceiro é classificado como planeta anão — categoria que inclui Plutão, Éris, Makemake, Haumea e Ceres.

Os Oito Planetas do Sistema Solar

Nosso Sistema Solar abriga oito planetas divididos em dois grupos familiares com características físicas radicalmente diferentes:

Planetas Rochosos (Terrestres)

Mercúrio, Vênus, Terra e Marte formam o grupo interno. São pequenos, densos, compostos principalmente de silicatos e metais, e possuem superfícies sólidas. A Terra é o maior deles com 12.756 km de diâmetro. Marte, com apenas metade do tamanho terrestre, ainda abriga o Monte Olimpo — o vulcão mais alto do Sistema Solar, com 21,9 km de altura.

Planetas Gasosos Gigantes

Além do cinturão de asteroides, os quatro gigantes dominam numericamente a massa planetária do Sistema Solar. Júpiter e Saturno são gigantes gasosos compostos principalmente de hidrogênio e hélio. Urano e Netuno são classificados como gigantes de gelo — suas composições incluem grande quantidade de água, amônia e metano em estado de fase supercrítica no interior profundo.

  • Júpiter: o maior planeta do Sistema Solar com 142.984 km de diâmetro — 11 vezes o diâmetro terrestre. Sua Grande Mancha Vermelha é uma tempestade anticiclônica que dura há pelo menos 350 anos.
  • Saturno: seus anéis espetaculares se estendem até 282.000 km do centro mas têm espessura de apenas 10–100 metros. São compostos principalmente de água gelada.
  • Urano: gira em sua órbita com uma inclinação axial de 97,77°, essencialmente "de lado", possivelmente resultado de uma colisão catastrófica primordial.
  • Netuno: o vento mais rápido do Sistema Solar — até 2.100 km/h — varre sua atmosfera cor de azul profundo, colorida pelo metano que absorve luz vermelha.

Formação Planetária: Do Disco Protoplanetário ao Sistema Completo

Planetas formam-se a partir de discos protoplanetários — nuvens de gás e poeira que circundam estrelas jovens. O processo começa com grãos de poeira que se agregam em planetesimais (objetos de ~1 km), que por sua vez colidem e crescem em protoplanetas, eventualmente atingindo massa suficiente para dominar suas órbitas. Este processo, chamado acreção, leva dezenas de milhões de anos.

O Telescópio Espacial James Webb (JWST) revolucionou nossa compreensão desse processo em 2022–2023, capturando imagens de discos protoplanetários em formação com resolução sem precedentes em estrelas como HL Tauri e PDS 70 — onde planetas jovens estão ativamente acumulando massa a apenas 370 anos-luz de distância.

Exoplanetas: Planetas Além do Sistema Solar

A definição da IAU aplica-se estritamente ao Sistema Solar — para exoplanetas (planetas orbitando outras estrelas), a comunidade astronômica usa uma definição funcional baseada em massa: objetos com massa menor que ~13 massas de Júpiter (o limiar de fusão de deutério, acima do qual o objeto se tornaria uma anã marrom).

O Telescópio Espacial Kepler e seu sucessor TESS catalogaram mais de 5.700 exoplanetas confirmados até 2025, e estimativas da NASA sugerem que nossa galáxia pode conter mais de 100 bilhões de planetas — possivelmente mais planetas do que estrelas. Tipos de exoplanetas sem análogo no Sistema Solar incluem:

  • Super-Terras: planetas rochosos com 1–10 massas terrestres, candidatos promissores à habitabilidade.
  • Mini-Netunos: o tipo mais comum detectado pelo Kepler, com raios 2–4 vezes o terrestre.
  • Júpiteres Quentes: gigantes gasosos orbitando tão próximos de suas estrelas que um "ano" dura apenas alguns dias terrestres.

Observando Planetas a Olho Nu do Atacama

Cinco planetas são visíveis a olho nu sem nenhum equipamento: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. Do Deserto do Atacama — com 340 noites limpas por ano e altitude de 2.400 metros em San Pedro — esses planetas apresentam-se com um brilho e estabilidade que surprreendem até observadores experientes.

Vênus, o mais brilhante do grupo com magnitude aparente de até −4,9, projeta sombras detectáveis em noites escuras do Atacama. Saturno através de um telescópio de 4 polegadas revela seus anéis com clareza suficiente para identificar a Divisão de Cassini. Júpiter exibe suas quatro luas galileanas — Io, Europa, Ganimedes e Calisto — em posições que mudam visivelmente noite a noite.

Durante conjunções e oposições planetárias, nossos guias especialistas conduzem sessões focadas nesses objetos, explicando as mecânicas orbitais em tempo real enquanto você observa.

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Júpiter, Saturno e Marte visíveis no Atacama

Os planetas do sistema solar que você acabou de conhecer são visíveis a olho nu no deserto do Atacama nas noites sem nuvens. Com telescópios profissionais você pode ver os anéis de Saturno e as luas de Júpiter com clareza impressionante. Leia nosso guia de turismo astronômico para planejar sua visita.

Observe planetas no deserto do Atacama →